A Umbanda, Candomblé e as Demais Religiões de Matriz Africana e as eleições 2014 – 1ª. Parte

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A FUEP, por força dos seus estatutos sociais é uma entidade apartidária, embora não seja apolítica, pois tem na representação política dos templos, fiéis e simpatizantes da Umbanda no Estado do Paraná, a sua razão de existir.

Assim, buscando a legitimação da religião e atuando no sentido de diminuir o preconceito e a discriminação para com os umbandistas, chegamos ás eleições 2014 buscando dar um salto de qualidade no relacionamento institucional da Umbanda, do Candomblé e das Demais Religiões de Matriz Africana do nosso estado.

Para isso, buscamos o auxílio dos nossos irmãos do Candomblé, contando com o inestimável auxílio da Coordenação do Fórum Paranaense das Religiões de Matriz Africana e do Pai Jorge Kibanazambi.

Nunca é demais lembrar que são frequentes as notícias veiculadas na imprensa sobre a atuação das bancadas católica e evangélica, que esquecem as diferenças e se unificam rapidamente quando se trata dos seus interesses comuns. Isso acontece, tanto no congresso nacional, quanto nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores.

Essas notícias nos passam um recado claro, que não deixam nenhuma dúvida: todas as religiões, sem exceção, discutem e participam da política, muitas vezes fazendo acordos escusos em seu proveito próprio, que via de regra excluem as outras religiões, pois buscam vantagens somente para elas.

Por certo, as casas legislativas nas três esferas de poder deveriam reproduzir a sociedade que dizem representar, mas, se existem umbandistas, candomblecistas e fiéis das demais religiões de Matriz Africana na sociedade, porque não existem nelas os nossos representantes?

A resposta é simples, fomos criados achando que política e religião não se deveria discutir, o que grosso modo, só serviu para nós, uma vez que as outras religiões, a cada eleição, aumentam o seu poder de pressão juntos aos governos, elegendo os seus representantes.

Não se trata de trazer a política para dentro das religiões, mas sim, levar as reivindicações e demandas das religiões para os políticos, mas, de maneira unificada e organizada.

Primeiramente porque a política está presente em nossa vida o tempo todo, em todo lugar e depois porque sentimos a necessidade de legitimar as nossas religiões, queremos ter os mesmos direitos que as outras religiões têm.

Quantos fiéis e simpatizantes das religiões de Matriz Africana são obrigados a esconder sua religião no local de trabalho, na escola ou na vizinhança para não sofrer discriminação? Quantos já foram vítimas de humilhação, discriminação e de preconceito e não tiveram a quem recorrer?

Tudo isso depende da nossa relação com a política institucional, que se dá de maneira inversamente proporcional, quanto menor, menos respeito teremos.

Dessa forma, acreditando-se que chegou a hora de também elegermos os nossos representantes, mas acreditando que isso passa por um processo lento e gradual, e sabendo que precisaríamos dar um primeiro passo certeiro, resolveu-se lançar a “Carta Compromisso com a Umbanda, Candomblé e Demais Religiões de Matriz Africana”, a ser assinada por todos aqueles que fossem pedir votos em nossos terreiros.

Dentre os vários candidatos aos quais enviou-se a Carta Compromisso, dois manifestaram-se favoravelmente a sua assinatura, o Deputado Estadual Péricles de Mello que postula a reeleição e o candidato a Deputado Federal Denilson Pestana, candidato pela primeira vez.

Assim, pela primeira vez, os fiéis e simpatizantes da Umbanda, Candomblé e Demais Religiões de Matriz Africana no Estado do Paraná, tem candidatos em quem votar nas eleições, uma vez que os compromissos assumidos somente poderão ser cumpridos caso sejam eleitos.

Deputado Estadual – Péricles de Mello – 13115

Deputado Federal – Denilson Pestana – 1312 

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