Mensagem de final de ano – 2017

Feliz Natal e um Excelente Ano Novo

Escrito a 4 mãos por Pai Anthony de Iemanjá e Paulo Tharcicio Motta Vieira.

Chegamos ao final de 2017, ano do 109º aniversário da Umbanda, com a sensação do dever cumprido, ainda que parcialmente. Não se pode, entretanto, deixar de apontar que a Direção da FUEP sofreu certo esvaziamento, fruto das atribuições pessoais e/ou profissionais dos seus membros ou ainda por afastamento opcional. Esse esvaziamento tem se repetido de ano para ano, de forma que iniciamos com toda a força e, com o passar do tempo, o ânimo vai arrefecendo e a participação diminuindo. Embora isso tenha ocorrido também em 2013 e 2014, acreditamos que estejamos fechando um ciclo de mudanças e que o ano de 2017 representa um recomeço, forte e coeso. Essa força e coesão se deve principalmente à renovação da Direção da FUEP (Conselhos Deliberativo e Fiscal e Diretoria Executiva) realizada através de amplo processo eleitoral, que pela primeira vez coletou votos das subsedes regionais, ampliando dessa forma a capilaridade da FUEP no interior do nosso estado.

Assim, a nova Direção capitaneada pelo Pai Jimmy – Presidente do Conselho Deliberativo e pelo Pai Anthony – Presidente da Direção Executiva se propõe a dar uma sacudida nos Umbandistas do Paraná.

Buscamos recuperar a Utilidade Pública Estadual que foi cassada pela ALEP, e para tanto foi necessário reformar/alterar o Estatuto Social, oportunamente, aproveitou-se para retirar os artigos restritivos, reconhecendo “de direito” a diversidade que existe “de fato” nos Templos Umbandistas, favorecendo a associação de dirigentes e terreiros.

A atualização estatutária permitirá buscarmos a obtenção da utilidade pública federal, que nos habilitará a receber doações que poderão ser compensadas no Imposto de Renda das pessoas físicas e jurídicas, além de abrir as portas para outros aportes de recursos, tais como a realização de bazares com produtos apreendidos pela Receita Federal.

Por absoluta falta das mais diversas condições, não conseguimos realizar o seminário, programado para todo 1° semestre, embora não tenhamos medido esforços para tanto.

Em agosto, com a realização da Assembleia Geral Ordinária Eleitoral, elegemos a nova direção e continuamos fortemente o processo de interiorização da FUEP, criando as condições para a presença mais efetiva em todo o estado, através da ativação das subsedes regionais nas cidades polo, nas quais já temos vice-presidentes eleitos e trabalhando na consolidação da FUEP no interior do estado

Apesar das dificuldades, tivemos um ano cheio de atividades no campo institucional, nesse sentido, participamos ativamente das ações do CONPAZ/PR, assumindo a frente de várias atividades organizadas, que culminaram com a realização da Semana Estadual pela Cultura do Paz.

Também continuamos a jornada para estabelecer a representatividade da Umbanda na ASSINTEC – Associação Inter-religiosa de Educação, através da nossa participação efetiva na direção, o que parece ter sido conseguido, faltando a oficialização. A ASSINTEC é uma entidade civil de caráter educacional que atua em parceria com o poder público na efetivação do Ensino Religioso nas escolas públicas do Paraná e nos apoios pedagógico e didático aos professores desta área do conhecimento.

Participamos do 13° Prêmio Atabaque de Ouro no RJ, tendo sido convidados para nos representar o Grupo Tambores do Paraná, haja vista a não realização do Festival Paranaense de Curimbas. Para o ano de 2018, fica a promessa da realização, com novo formato que privilegie a participação de todos, classificando o vencedor para nos representar no Atabaque de Ouro.

Propostas para 2018

Em 2018, daremos uma especial atenção à campanha de associação “Sou Umbandista de Carteirinha”, com o mote de associar as pessoas que acreditam na ideia de que “juntos somos mais fortes e podemos mais”, com o objetivo de aumentar o número de associados e por decorrência a representatividade institucional da FUEP.

Aquisição da sede própria

Instituiremos novos projetos que possam ampliar o número de associados (coletivos e individuais) no rumo de atingirmos a independência financeira, que nos permita manter uma sede social, onde possamos atender dignamente aos associados. Nesse sentido, a comercialização da Chácara de Campo Largo (já aprovada pelo Conselho Deliberativo em ago/2015), que se transformou num sorvedouro de recursos, é emergencial, carreando o recurso obtido para a aquisição de sala comercial em Curitiba.

Articulação nacional – Unidade na Diversidade

Acredita-se que é necessário buscar uma articulação nacional dos Umbandistas, através da formação de um órgão com representação em todo o país, que tenha o condão de propor uma efetiva aproximação, com o objetivo de buscar o reconhecimento e legitimação da Umbanda como religião, acabando com o preconceito e a discriminação que ainda sofremos.

Da análise da atual realidade pode-se concluir que não existe uma organização institucional capaz de unificar os templos, uma vez que mesmo litúrgica e ritualisticamente, grosso modo, não existem dois terreiros de Umbanda iguais, tornando-se muito difícil o estabelecimento de projetos e estratégias comuns, tanto no aspecto religioso, quanto na relação com a sociedade.

Comunicação

O caminho para que todos os projetos saiam efetivamente do papel é estabelecer meios de comunicação mais efetivos com os associados de forma e enviar tempestivamente quaisquer assuntos que digam respeito a religião, convites e festividades, que passam pela atualização constante do site www.fuep.org.br, que foi reformulado e se estabeleça constância no envio de e-mails contato@fuep.org.br.

Umbanda no Século XXI, perspectivas e desafios

Ainda no quesito comunicação, se pretende estruturar o Blog http://umbandaseculo21.blogspot.com.br/, objetivando estabelecer um amplo, plural e democrático repositório do conhecimento Umbandista já existente e buscando definições para os desafios e perspectivas que nos reservam o futuro.

Com raríssimas exceções, em plena era da comunicação, ainda se vive na tradição da transmissão oral dos conhecimentos, o que nos torna alvo fácil para o ataque de outras religiões mais modernizadas, bem estruturadas financeiramente, que organizadas nacionalmente, se fortalecem cada vez mais, ao estabelecer relações muitas vezes espúrias ou no mínimo equivocadas com o poder central do estado, cuja laicidade é letra morta na Constituição Federal.

Crê-se ainda que devemos ter uma preocupação com a Umbanda que será deixada para as gerações futuras de Umbandistas, se essa que é alvo de discriminação e preconceito, ou uma religião que as pessoas possam assumir sem o medo de represálias e perseguição.

Consórcio para aquisição de imóveis para os terreiros

Outro dos projetos que estarão sendo propostos é a criação de um Fundo Solidário para a Aquisição e/ou Reforma de Imóveis próprios para os Templos Umbandistas, em conformidade com a proposta inicial já existente, que será discutida mais amplamente em reunião específica, visando à formação do Fundo, que viabilize a compra de imóveis para localização dos templos e/ou a reforma dos imóveis que já são próprios.

Convênios

Para apresentar um atrativo a mais no sentido de obter mais associações, retomaremos em 2018 os convênios de compras e serviços, criando vantagens fetivas (financeiras) para os associados da FUEP.

Pesquisa

Para conhecer o anseio dos Umbandistas do nosso estado com relação à federação, foi aprovada no Conselho Deliberativo a realização de “Pesquisa de Opinião entre os Umbandistas” com o objetivo de conhecermos a principal questão colocada para a FUEP e a razão da sua existência:

“O que os Umbandistas do Estado do Paraná esperam da Federação Umbandista do Estado do Paraná?”

È sabido que as federações, buscando a sustentação financeira, via de regra agrupam também Ilês do Candomblé e templos de outras religiões, dividindo a força representativa, e muitas delas em função de existirem única e exclusivamente para o benefício particular dos seus dirigentes, associam “sortistas” e “pais de poste”, nada realizando em prol da Umbanda ou das religiões que dizem representar.

Dentre aquelas que pretendem realizar alguma coisa, sofrem, primeiro com o descaso e reação ao termo “federação”; com a falta de disponibilidade dos dirigentes, totalmente consumidos pelas suas atividades laborais e a administração dos seus terreiros; e, também, pela persistente ausência de recursos financeiros.

Recuperando a Memória

Ainda no próximo ano, reavivaremos o projeto da “Memória da Umbanda no Paraná”, para tanto, iniciaremos a realização de entrevistas que serão gravadas em áudio e vídeo, com as pessoas que fizeram e fazem a Umbanda no Paraná, com seus sucessores e com aqueles que possam nos ajudar a construir a trajetória da Umbanda no nosso estado.

Conclusão

Temos muito o que comemorar, mas, também muitos desafios para superar, principalmente o paradigma de preconceito e discriminação que ainda existe na sociedade brasileira.

Essa tarefa, não pode ser relegada a um segundo plano, por isso conclamamos a todos os Umbandistas a se unir em torno da FUEP, com a força e a serenidade necessária para a superação das diferenças, priorizando sempre “aquilo que nos une”.

Dessa forma chamamos todos os umbandistas e simpatizantes a encarar junto conosco essa grandiosa tarefa, associando-se á FUEP.

A nossa unidade é a nossa força!

Axé

*Pai Anthony de Iemanjá – Atual presidente da Diretoria Executiva da FUEP e Paulo Tharcicio Motta Vieira – Paulão, atual secretário do Conselho Deliberativo – Gestão 2017/2021.