É preciso sonhar…

Por

Por Paulo Tharcicio Motta Vieira

[…] é preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias”.
Vladimir Ilyich Lenin

Em todos os momentos da vida deparamos com diversas situações em que precisamos decidir (em economês: trade-off), para que assim possamos nos posicionar e externar através das nossas ações, sentimentos e sensações, esse posicionamento.

É dessa forma que buscamos intervir na realidade, alterando-a conforme a nossa forma de compreender e/ou viver.

Esgotados todos os esforços, em última instância nos adaptamos a nova realidade, imutável no espaço de tempo, mas, somente após lutarmos pelos valores que consideramos corretos, ideais e aceitáveis na nossa compreensão do mundo que queremos, fruto dos saberes e impressões internalizadas em cada um de nós.

O mérito de assim proceder está em participar ativamente, vivenciando a nossa vida como protagonistas, uma vez que a dinâmica da realidade, impõe-nos a participação efetiva ou o aceite da nova realidade sem que tenhamos sopesado todos os seus componentes e desdobramentos. Assim, não existe uma “fórmula mágica” para o bem viver, a cada momento, utilizamos o livre-arbítrio e tomamos uma decisão, que certa ou errada, deverá ser racionalizada.

Quem me conhece, sabe que a muito tempo tenho lutado em várias frentes, algumas pessoais, outras – acredito que a maior parte delas – coletivas, e a cada momento surgem novos e inéditos desafios, e assim, vamos vivendo, buscando auxiliar homens e mulheres de bem a construir um mundo que seja mais justo, fraterno e solidário.

A qualquer momento que a realidade impuser e mais batalhas surgirem, por mais duras e difíceis que possam parecer, com determinação as enfrentarei, uma vez que ao quantificar esses esforços, encontrarei as justificativas para continuar lutando, na busca do mundo ideal para todos, sem qualquer tipo de discriminação e preconceito, com a certeza de cumprir a missão cármica a mim reservada, de contribuir na evolução – sem falsa modéstia -, da civilização humana em nosso planeta. Mesmo entendendo que cada um reserva para si, um papel, e a marca que quer deixar nessa encarnação terrena, definido no momento da reencarnação.

No campo político, em 2014 optei pelo voto Dilma, entendendo que a sua candidatura, significava a continuidade do esforço por tirar o país do atraso e ampliar os direitos dos menos favorecidos, daqueles que efetivamente precisam do governo.

Entretanto, esse apoio, mantém uma característica crítica, uma vez que a disputa ideológica se dá diariamente, e os grupos de pressão que estão instalados nas burocracias intermediárias das empresas públicas e no Congresso Nacional, tentam estabelecer melhorias para os seus segmentos de representação.

Assim, mesmo com a justificativa de “acalmar o mercado”, foi de estranhar a nomeação da equipe econômica, toda egressa dos bancos privados, caudatários de uma parcela significativa da dívida pública, interessados diretos na majoração da taxa SELIC que carreia vultosas quantias do orçamento federal para a “banca privada”. Esses valores fizeram, fazem e farão falta no combalido orçamento do governo, para a efetivação dos programas sociais, mais que uma obrigação, uma dívida que a nação brasileira tem para com os seus milhões de excluídos.

Mas, a “caixa de pandora” das concessões malévolas ao “mercado” estava por começar, agora, no limiar do novo mandato, são apresentadas medidas para reduzir a proteção social dos trabalhadores, abrindo espaço para uma revisão regressiva da CLT e das conquistas históricas do mundo do trabalho, bem ao feitio da nova equipe econômica.

Segundo o ministro Mercadante, “[…] as medidas visam uma economia anual de mais de 18 bilhões de reais”, ou seja, antes da posse no novo mandato, o governo já começa responsabilizando os trabalhadores pela crise econômico/financeira que assola o mundo, mantendo a sangria desatada dos juros estratosféricos, que continua a aumentar a riqueza da parcela privilegiada da nossa sociedade. Isso é o que de fato asfixia a economia brasileira, a produção e o mercado de trabalho, destinar aos banqueiros e rentistas mais de ½ trilhão de reais ao ano, por conta dos juros da dívida pública.

Para quem proferiu o discurso de “mexer nos direitos dos trabalhadores, nem que a vaca tussa”, essa é uma opção danosa para os direitos do povo trabalhador que acreditou e reelegeu Dilma, apostando na continuidade dos programas sociais que resgatam os milhões de excluídos, e, principalmente para o futuro da economia do país.

Portanto, o movimento sindical combativo, que grosso modo, indicou o voto em Dilma, tem o dever e o desafio de impedir a ofensiva que se desenha no horizonte dos próximos 4 anos, contra os interesses dos que vivem de salário e dependem de emprego formal para a sua subsistência.

Os primeiros sinais são mais que preocupantes, uma vez que as medidas anunciadas (mudanças no abono salarial; seguro-desemprego; pensão por morte, benefício vitalício e auxílio doença; e o seguro-defeso para os pescadores artesanais), parecem ser somente um balão de ensaio para medir as condições de temperatura e a pressão das direções organizadas da classe trabalhadora.

Com informações da Gazeta do Povo e do Blog Milton Alves – Milton com Política

Paulo Tharcicio Motta Vieira é o presidente da Diretoria-executiva da FUEP – Federação Umbandista do Estado do Paraná

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