Parabéns Umbanda! 106 anos de Amor e Caridade

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Parabéns Umbanda!

Nesse dia 15 de Novembro de 2014, a Umbanda completa 106 anos da sua apresentação terrena pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, ainda buscando a sua afirmação enquanto religião e exigindo o mesmo tratamento e respeito que as outras religiões possuem.

Dentre as suas características, a mais marcante é de ser a síntese da formação da sociedade brasileira, assimilando e mesclando rituais, crenças e símbolos do catolicismo popular, do espiritismo kardecista, dos cultos africanos, da pajelança indígena, de tradições orientais e de elementos magísticos, perfeitamente integrados, resultando nessa maravilhosa religião, que integra e auxilia no dia a dia dos médiuns e frequentadores de terreiros, no cumprimento da tarefa cármica de melhorar a cada dia, resgatando nesta encarnação a missão do homem de evoluir, através do seu desenvolvimento espiritual.

Mas, mesmo com estes objetivos tão nobres, ainda nos falta o respeito e reconhecimento social, a religião ainda é estigmatizada e os seus praticantes sofrem toda a sorte de preconceitos e discriminação, sendo muito comum ouvir-se que a Umbanda é coisa do demônio.

Ao longo destes 106 anos foi perseguida durante décadas pela polícia, depois pela Igreja Católica e, mais recentemente, pelos evangélicos neopentecostais.

Teve o seu apogeu entre o final dos anos 1950 e o início da década de 1980.

Hoje, sofre um pequeno declínio de seguidores, segundo os censos do IBGE de 2000 e 2010, mas está presente no Brasil inteiro e em diversos países, e nesse momento passa por um forte movimento de revitalização, principalmente nos estados de Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e DF.

Um pouco da história

C7Encruzilhadas

No dia 15 de novembro de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se manifestou no Zélio Fernandino de Moraes, um rapaz de 17 anos que se preparava para entrar para a Escola Naval, numa sessão de espiritismo kardecista em Neves, no município fluminense de São Gonçalo, próximo ao Rio, então capital federal.

A Doutrina Espírita do francês Allan Kardec [pseudônimo de Hippolyte Léon Denizard Rivail, 1804-1869] já tinha seguidores no Brasil desde 1865, notadamente entre os filhos de famílias abastadas que iam estudar na França, e ao retornar traziam na bagagem essa nova religião.

Embora haja indícios de incorporações de espíritos de índios e de escravos negros nas diversas formas de macumba que existiam no Rio de Janeiro do século XIX, os kardecistas não os admitiam por considerá-los espíritos marginais e pouco evoluídos.

Os registros daquele episódio variam conforme a fonte:

Em um dos relatos, reproduzido no livro “Umbanda Cristã e Brasileira” (J. Alves Oliveira, 1985), o caboclo teria assim se revelado: “Se julgam atrasados esses espíritos dos pretos e dos índios [caboclos], devo dizer que amanhã estarei em casa deste aparelho [o médium Zélio de Moraes] para dar início a um culto em que esses pretos e esses índios poderão dar a sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou”.

Em 1970, o Pai Ronaldo Linares, hoje presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, ouviu a história da revelação do próprio Zélio (1891-1975). O espírito se apresentou como caboclo brasileiro e foi contestado por um médium kardecista, que disse que via nele “restos de vestes clericais”. O caboclo então teria explicado: “O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre, meu nome era Gabriel Malagrida e, acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição por haver previsto o terremoto que destruiu Lisboa em 1755. Mas, em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como um caboclo brasileiro”.

Quando perguntaram seu nome, respondeu: “Se é preciso que eu tenha um nome, digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois para mim não existirão caminhos fechados. Venho trazer a Umbanda, uma religião que harmonizará as famílias e que há de perdurar até o final dos séculos”.

A sina da Umbanda, desde então, é trabalhar para impedir que os seus caminhos se fechem. A adoção do dia “15 de novembro” como marco da criação da Umbanda é uma convenção da década de 1970, reafirmada pelo reconhecimento do governo federal em 2012, com a assinatura da Presidenta Dilma no decreto que o definiu como o “Dia Nacional da Umbanda”.

Saravá Umbanda! Umbanda Saravá!

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