Saravá Oxóssi! Okê Arô!

No dia 20 de janeiro comemora-se o dia de São Sebastião, que pelo sincretismo religioso corresponde ao Orixá Oxóssi na Umbanda. O sincretismo foi a maneira encontrada pelos escravos para manter os seus cultos, assim os africanos mantinham essa relação com os santos católicos, após serem “evangelizados”, como um disfarce para manter sua cultura religiosa.

A vibração de Oxóssi se potencializa nas matas e nos Terreiros é o responsável pela linha dos Caboclos e Caboclas.

São Sebastião foi um soldado romano que foi martirizado por se declarar cristão em uma época em que isso custava a própria vida, mas, mesmo assim ele não renegou a sua em Jesus Cristo. Denunciado por um soldado, despertou a ira de do imperador Maximiano que mandou que Sebastião renunciasse à sua fé, tendo Sebastião se negado a fazer esta renúncia. Assim, foi condenado à morte, mas para servir de exemplo e desestimular outros desejosos de seguir a fé cristã, teve uma morte violenta e a vista de todos. Dessa forma, os arqueiros receberam ordens para matarem-no a flechadas. Eles tiraram suas roupas, o amarraram num poste no estádio de Palatino e lançaram suas flechas sobre ele. Ferido, deixaram que ele sangrasse até morrer. Embora ele tenha sobrevivido e após recuperar-se dedicou-se a evangelização, tendo sido vítima de novo martírio, essa é a imagem símbolo do martírio de São Sebastião.

 

Oxóssi é o Orixá africano, trazido ao Brasil pelos escravos escravizados, é o Orixá da caça, florestas, dos animais, da fartura e do sustento. É quem provê o alimento.

É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para o Terreiro, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.

A Mitologia Africana nos conta que Oxóssi é irmão mais novo de Ogum. Certa vez Ogum saiu para guerrear e Oxóssi ficou na tribo. Enquanto Ogum estava fora a tribo foi atacada e Oxóssi não sabia lutar, por isso não pôde defender a tribo do ataque dos invasores. Após o retorno de Ogum, o mesmo viu toda a destruição causada a tribo e foi à procura do irmão. Ogum viu que era preciso treinar seu irmão para proteger a vila enquanto ele estivesse fora, pois Ogum é o Orixá da guerra e sempre que fosse preciso sair para guerrear era necessário que alguém cuidasse da tribo. Oxóssi foi então treinado pelo seu irmão Ogum a fim de defender a sua tribo de ataques que pudessem ser feitos a ela. Por esse motivo ele é considerado como o guardião popular, pois ele mesmo guarda a sua tribo.

Obviamente as divindades africanas foram sendo sincretizadas com os santos católicos e com a religiosidade dos nativos (índios) brasileiros, ganhando novos significados. Assim, é comum nos Terreiros, nas Giras de Caboclos, a manifestação de espíritos ancestrais que tiveram uma encarnação em nosso país, entre os habitantes originais.

Dentre eles, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que na sua última incorporação no Pai Zélio de Moraes, deixou a mensagem: “Como o menor espírito que baixa sobre a Terra eu saúdo a falange de Caboclos que me cercam, que me cercaram quando iniciei. Temos aqui diversos Caboclos de Ogum, de Xangô, que estão nas 7 linhas, mas devo dizer que o Caboclo das 7 Encruzilhadas que é o meu espírito pertence a falange de Oxóssi, meu Pai. Que Oxóssi possa tomar conta de vocês, que Oxóssi abençoe vocês neste momento, este pequenino espírito deseja a todos presente proteção, os corpos todos cheios de fluidos benéficos para amenizar os males, eu quero que tenham neste momento a proteção da falange de Oxóssi e as outras linhas que aqui estão presentes, para levar harmonia aos vossos lares, harmonia aos vossos corações, talvez possam gozar a vida conforme o Pai vem falando a seus filhos, dentro daquela humildade, dentro do amor de irmão para irmão e praticando a caridade”.

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Salve Oxóssi

Por Alex de Oxóssi

É festa na mata desde o amanhecer. As sombras da noite vão dando lugar aos matizes da alvorada. O ar vai se enchendo de sons, zumbidos das abelhas acordando em busca do néctar, e as flores se abrindo em seus diversos matizes multicores, seu perfume permeando todo o ambiente, misturado ao da relva orvalhada que rebrilha aos primeiros raios de sol.

Em algum lugar o riacho murmura, abrindo seu caminho fluido, transparente, mostrando as pedras limosas e os peixes céleres. A cachoeira ao longe, descortina seu véu, vapor dissipado pelas ondas de calor do dia que desponta glorioso.

A brisa passa, farfalhando os ramos das árvores frondosas, silenciosas e majestosas, com seus tronos seculares e suas raízes que conhecem os segredos da terra, solo sagrado recoberto de folhas, permeadas pelos pequenos seres que ali habitam, que vão se movimentando em mais um ciclo de vida.

A revoada de barulhentos pássaros, que fazem evoluções no céu saudando o astro rei, que paira cada vez mais alto, na sua tarefa de tudo iluminar e vivificar.

Pelas antigas trilhas, ouve-se passos, em direção à clareira, vão se dirigindo nesta manhã mágica, os caboclos da floresta, antigos moradores, agora na invisibilidade, que trabalham em diferentes missões, espalhados pelo mundo. Mas hoje é dia de festa, e eles vêm prestar homenagem. Vêm com suas melhores roupagens, suas pinturas, cocares, saiotes de penas, tacapes, arcos, flechas, lanças, bodoques, mas vêm com passos mansos, pacíficos.

Vêm felizes, tomados por uma grande emoção que os fortalece e os une numa mesma vibração. Cantam, dançam e ficarão o dia inteiro ali, com suas energias sutis e restauradoras, pois sabem que hoje é o dia do rei. É o dia de homenagear a emanação da Força Divina personificada em um Orixá – Oxóssi!!!

E os animais se aproximam sem medo, e o ar se enche agora de cânticos, que permearão o dia, à tarde, até o anoitecer.

É dia de festa na mata, é um dia de júbilo, onde do Panteão celeste se manifesta em todo o seu esplendor, ele, Oxóssi, abençoando seus falangeiros, dotando-os e fortalecendo-os com sua Sabedoria, Inteligência, Perspicácia.

Oxóssi chega, convidando a todos a vibrarem sempre positivamente, a buscarem no mundo o que é real, verdadeiro. Ensinando a todos o respeito e o amor ao meio ambiente. A valorizar tudo o que se possui, sem cobiçar, ou se usar de ardis, nunca desistir de seus objetivos, ser guerreiro e permitir que a energia da vida flua perfeitamente, facilitando a comunicação entre os mundos e assim aprendendo sempre as lições dos Imortais.

A noite já chega novamente, a reunião de tantos espíritos silenciosamente vai se dispersando, cada um voltando aos seus afazeres.

A luz emanada do Orixá aos poucos vai se diluindo no ambiente, mas a energia agora, novamente impalpável, ficará ali, como fonte de refazimento para os buscadores encarnados, perdurando até a próxima festa, o próximo encontro.

Salve Senhor Oxóssi, nos conduza sempre aos caminhos certos, à coragem e à retidão de nossos objetivos. Hoje é o seu dia e nós lhe rendemos todo o nosso Amor, nossa Gratidão, e nossa Fé.
Salve Oxóssi! Salve a Sua Luz!

Disponível no portal Povo de Aruanda, https://www.povodearuanda.com.br/hoje-e-dia-de-festa-salve-oxossi/, acesso em 20/01/2019.

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